Entrevista com Nutricionista Juliana Shibao sobre adoçantes

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A nutricionista Juliana Shibao faz mestrado na Faculdade de Saúde Pública-USP, possui graduação em Nutrição pela Universidade Católica de Santos (2006), Aprimoramento profissional em Vigilância Sanitária no Instituto Adolfo Lutz nos setores de Bromatologia e Química e Microbiologia Alimentar. Mestranda da Universidade de São Paulo na áreas de nutrição em Saúde Pública.

O que é adoçante e por que você escolheu esta linha de pesquisa?

Os adoçantes são definidos pela legislação brasileira da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) como substâncias diferentes dos açúcares com capacidade de adoçar alimentos. Escolhi esta linha de pesquisa por gostar de química de alimentos e saber como os alimentos podem influenciar em nossa saúde.

 

Quando foi inventado o adoçante ?

O Primeiro adoçante a ser descoberto foi a Sacarina em 1878. Desde então vários cientistas descobriram outros adoçantes na maior parte das vezes acidentalmente. Os adoçantes mais conhecidos como ciclamato e aspartame foram descobertos em 1937 e 1965 respectivamente.

Qual é o poder de doçura dos adoçantes ?

Os adoçantes podem ser divididos segundo a legislação brasileira em naturais e artificiais. Os naturais compreendem os polióis (sorbitol, manitol, isomslte, maltitol, lactitol, xilitol, eritritol) e o esteviosídeo. Os poliois apresentam o poder de doçura de 0,3 a 1,5 vezes mais que a sacarose.

Os artificiais estão descrito abaixo com poder de doçura X vezes mais doces que o açúcar:
Acessulfame K: 200 vezes
Aspartame: 200 vezes
Ácido ciclamico ou ciclamato de sódio: 30 vezes
Sacarina: 300 vezes
Sucralose: 600 vezes
Neotame: 6000 vezes
Taumatina: 3000 vezes

Quem pode consumir adoçante? Ele engorda ?

O consumo de adoçantes deve ser feito por pessoas que necessitam da restrição de açúcares em sua dieta como diabéticos e obesos clinicamente diagnosticados. O que acontece atualmente é que com o aumento pela busca do corpo perfeito as pessoas fazem o consumo exagerado destas substancias tanto nos adoçantes de mesa (liquido e pó) como também em produtos diet e light.

Os adoçantes não engordam. Alguns deles possuem calorias. Os poliois possuem calorias porem menores que o açúcar. Dentre os artificiais o aspartame também possui calorias mas como a quantidade utilizada deste adoçante é pequena a quantidade de calorias fica insignificante.

Por que os adoçantes são caros ?

Em geral os adoçantes são caros pelo seu custo de produção. O adoçante mais barato que existe no mercado atualmente é o ciclamato.

E quais são perigosos a saúde? Ele pode dar câncer ?

Todos os adoçantes de uma forma geral são seguros dentro das doses recomendadas pela ANVISA de consumo diário (Ingestão de Consumo Diário – IDA) que podem ser encontrados no site da ANVISA. Os efeitos adversos encontrados em animais são com doses muito maiores que estas (extrapola cerca de 100 vezes essas quantidades).

Quais são as diferenças no sabor de adoçantes em pó ou liquido? Existe alguma vantagem de um ou outro ?

Não existe diferenças de sabor de um mesmo adoçante nas formas em pó ou liquidas. Existe sim diferença de sabor entre os tipos de adoçantes. A vantagem depende do tipo que o consumidor mais se adapta, uns preferem em pó outros liquido.

Há alguns anos circulava um e-mail dizendo que o Aspartame trazia sérios problemas de saúde, pois se metabolizava em metanol e formaldeído e ácido fórmico no organismo. Isto é verdade, ele realmente faz mal?

O aspartame é uma proteína (por isso tem calorias como dito anteriormente) por isso pode ser metabolizada pelo organismo humano. Quando metabolizada ela se transforma em fenilalanina (por isso não pode ser ingerida por fenilcetonúricos), ácido aspartico e metanol. O primeiro é convertido em tirosina, o ácido aspartico é retirado da circulação e levado ao cérebro para ser armazenado como neuropeptideo e o metanol sim tem implicações deletérias (ruins) ao organismo quando consumidos em grandes quantidades por se acumular no sistema nervoso central. Porém mesmo que uma pessoa consuma o limite diário deste adoçante ela que é de 40mg/kg de peso/dia apenas 4,4 mg de metanol/kg/dia seriam absorvidos e os sinais clínicos de intoxicação por metanol só aparecem com ingestão acima de 500mg de metanol/kg de peso/dia, sendo assim este adoçante não tem efeitos deletérios((ruins).

Para quem o aspartame é contra-indicado? Gestante pode consumir?

Ele é contra indicado a fenilcetonúricos como já citado anteriormente. Além disso todos os adoçantes (não só o aspartame) não devem ser ingeridos por gestantes, lactantes e crianças para não prejudicar o feto, bebe ou ate mesmo a criança pois como o sistema imune ainda esta em formação pode ser que eles desenvolvam uma reação alérgica.

Quais são os adoçantes indicados para as gestantes diabéticas?

Como sugerido anteriormente o ideal seria evitar o adoçante, entretanto se a gestante precisa usar este produto, qualquer adoçante poderia ser indicado a elas (menos aspartame para fenilcetonuricas), contanto que não ultrapasse a dose máxima sugerida pela ANVISA. O que influenciará na escolha é a preferência sensorial.

Normalmente refrigerantes e outras bebidas contem mais de um adoçante. Por quê ?

A associação de mais de um adoçante faz com que o produto seja sensorialmente mais aceito. Por exemplo: o ciclamato tem sabor residual amargo por isso é associado a sacarina para diminuir esse sabor e ficar sensorialmente mais aceito.

Por que alguns adoçantes não podem ir ao fogo?

O Aspartame não pode ir ao fogo pois como se trata de uma proteína com o aquecimento ela é desnaturada (perde sua fórrmula natural) e perde sua configuração inicial perdendo seu poder adoçante. Os outros podem ir ao fogo.

Paciente diabéticos normalmente usam o açúcar, pois tem dificuldade para aceitar o adoçante. O que fazer ?

Tentar experimentar todos os adoçantes para ver qual é o sensorialmente mais aceito. Atualmente temos muitos adoçantes no mercado o que facilita esta escolha.

Muitas crianças tomam produtos com adoçante, é perigoso ?

Como já dito anteriormente, as crianças não tem o sistema imunológico completamente formado e estas substancias sintéticas podem desencadear uma reação alérgica.

Existem sintomas específicos de intoxicação por adoçante? Qual deve ser a ingestão máxima diária ?

Não existe sintomas específicos. Os limites de cada adoçante são:
Naturais: Não tem limite diário, entretanto seu nutricionista poderá ajudá-lo na dose ideal.

Acessulfame K: 15 mg/kg de peso/dia
Aspartame: 40 mg/kg de peso/dia
Ácido ciclamico ou ciclamato de sódio: 11 mg/kg de peso/dia
Sacarina: 5 mg/kg de peso/dia
Sucralose: 15 mg/kg de peso/dia
Neotame: 2 mg/kg de peso/dia
Taumatina: a ANVISA ainda não estabeleceu o limite.

Existem alguns adoçantes em pó que contem maltodextrina, (a base de sucralose) nos ingredientes, o que você acha disto ?

A maltodextrina é utilizada como coadjuvante de formulação por industrias de alimentos. Ela não tem a função de adoçar. Sua quantidade é pequena.


Quais leis deveriam ser feitas para proteger a população em relação aos adoçantes? E que cuidados o consumidor deve ter em relação aos alimentos ou produtos dietéticos ?

Os produtos que contenham adoçantes deveriam vir em seu rotulo a quantidade por porção do adoçante e o quanto corresponde da ingestão diária aceitável, para assim o consumidor conseguir escolher melhor os alimentos, principalmente os consumidores que fazem uso a longo prazo destas substancias como diabéticos.

Obs.: A equipe Nutrição Para Todos agradece a entrevista da nutricionista Juliana Shibao.

 

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4 comentários para “Entrevista com Nutricionista Juliana Shibao sobre adoçantes”

  1. simone moreira dias de medeiros leite disse:

    Carissima Julianna Shibao,

    declaro minha indignação quanto à sua tentativa de explicar um ato abusivo das empresas que enganaram os consumidores (GOLD e steviaBrasil), ao colocar na embalagem que nao continham edulcorantes artificiais e na verdade continham. A sua explicacao de que nao trazem prejuizo ao consumidor é absurda, pois além de o consumidor ter todo o direito de escolher e comprar exatamente o que propoe o produto, o ato em si constitui uma fraude. Com essa atitude deixo de confiar nas informações contidas em seu livro e em sua conduta perante seus clientes.

  2. Julianna disse:

    Prezada Simone,

    Como vai?

    Espero com este comentário tentar explicar minha entrevista dada ao jornal O Estadão ao reporter Breno. Em nenhum momento disse que a ação das empresas acima citadas estão corretas, pelo contrário, elas levam o consumidor ao engano quando relatam ter uma substância natural e após análises realizadas, verificamos que parte do poder adoçante provem de substãncias totalmente artificiais. Depois de mais de 20 minutos de entrevista foi publicado a seguinte frase:

    “Segundo a nutricionista Julianna Shibao, a troca da estévia pelos adoçantes artificiais não causa prejuízo nutricional, pois as substâncias são permitidas pela legislação. “O apelo em relação à estévia é que ela sai de uma planta, ao contrário dos adoçantes artificiais.”

    Realmente não há prejuizos nutricionais com a troca, pois a utilização das substâncias envolvidas (estévia, ciclamato e sacarina) são permitidas em alimentos pela ANVISA e estão em quantidades que não ultrapassam a Ingestão Diária Aceitável (IDA), mas isso não quer dizer, de forma alguma, que concordo com a ação das empresas.

    Espero ter esclarecido qualquer mal entendido. Estou a disposição para dúvidas.

  3. Paulo Emmer disse:

    Cara Julliana Shibao. Gostaria de esclarecer uma dúvida, se possível, sobre os adoçantes que podem ir ao fogo: posso adoçar massas de bolo, molhos, pamonhas, etc utilizando adoçante líquido à base de sacarina-ciclamato-acessulfameK ou forçosamente tem que ser daquelas marcas em pó “forno e fogão”? Desde já agradeço.

  4. DANIEL disse:

    Voce assiste uma aula do Dr Lair Ribeiro sobre adoçantes e depois na sequencia le uma reportagem como esta.. E observa que a diferença gritante entre um Nutricionista e um Nutrólogo. Nao orientar seus pacientes de forma errada, deveria ser a meta. Porem, o conhecimento limitado leva a erros simples.

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