Entrevista com hematologista Fabrício Biscaro Pereira sobre doação de sangue

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Dr. Fabrício Bíscaro Pereira, CRM/SP 104.094, Médico Hematologista e Hemoterapeuta do Hemocentro da UNICAMP, Diretor clínico do Centro Infantil de Investigações Hematológicas Dr. Domingos A. Boldrini.

Dr Fabrício não existe substituto para o sangue humano, assim a solidariedade das pessoas é fundamental para doar sangue. A Fundação Pró-Sague afirma que devemos ser honestos na entrevista pois isto pode salvar vidas. Os requisitos básicos são: Estar em boas condições de saúde;Ter entre 16 e 67 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos (menores de 18 anos; Pesar no mínimo 50kg.; Estar descansado (ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas); Estar alimentado (evitar alimentação gordurosa nas 4 horas que antecedem a doação); Apresentar documento original com foto emitido por órgão oficial (Carteira de Identidade, Cartão de Identidade de Profissional Liberal, Carteira de Trabalho e Previdência Social).

 

Quais são as situações que fazem os hematologistas não aceitarem o sangue do doador? As pessoas com 50kg tem menos sangue, por que esta restrição?

A triagem clínica e laboratorial do doador de sangue visa primeiramente a proteção do doador, evitando que ele possa apresentar algum agravo a sua saúde, e também visa a proteção do receptor do sangue, visto que apesar dos avanços dos exames sorológicos ainda não é possível reduzir a zero a risco de transmissão de doenças infecto contagiosas.

Quanto aos doadores com menos de 50kg o volume sanguíneo que pode ser coletado com segurança é inferior ao recomendado para a realização de uma transfusão habitual. Em casos muito específicos, como sangue muito raro, pode-se autorizar esta doação após avaliação rigorosa do hemoterapeuta.

 

Como você avalia esta pesquisa? E a situação dos hemocentros de outros países?

Os hemocentros brasileiros acabam realizando, além da coleta, processamento e distribuição do sangue, toda parte assistencial em hematologia, como atendimentos de portadores de hemofilia, Anemia Falciforme e até mesmo leucemias. Apesar de todos os esforços alguns hemocentros acabam enfrentando sérios problemas para garantir o abastecimento do sangue e atendimento médico especializado. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas acredito que a qualidade dos grandes hemocentros nacionais se equipare com a dos países desenvolvidos. Eu, particularmente, sou um defensor do sistema público para a coleta e processamento do sangue e acredito que o governo deveria tratar este assunto como estratégico em todas as suas esferas, reduzindo a participação de bancos de sangue privados prestando assistência a serviços públicos.

 

Quais são os tipos de sangue que mais faltam? Por que hemofílicos precisam tomar sangue constantemente?

Atualmente evitamos falar em tipo de sangue que mais falta, toda doação é importante. Comenta-se muito que o tipo O negativo é o mais raro, apesar desta informação não ser correta, nós o consideramos estratégico, pois pode suprir a necessidade de pacientes de outros grupos sanguíneos em situações de urgência. Recentemente tivemos problemas de abastecimento do HC/UNICAMP com o tipo O positivo, o mais comum em nossa região. Os doadores de sangue têm de saber que independente do tipo sanguíneo ele é o mais importante para o paciente que necessita.

Quanto aos hemofílicos, eles têm uma alteração genética que impede principalmente a produção do fator VIII ou IX responsáveis pela coagulação do sangue e apresentam sangramentos intensos até que recebam estes fatores. Antigamente a única fonte destes fatores era o plasma ou o crioprecipitado obtidos da bolsa do sangue, hoje em dia eles não necessitam mais de transfusões componentes do sangue. Eles recebem o fator de coagulação específico para seu problema. Este fator é produzido pela indústria ou através de técnicas recombinantes ou derivados do plasma humano.

 

O Brasil vem ampliando a rede de doadores de medula óssea. É como doar sangue?

Não, a doação de medula é realizada ou no centro cirúrgico através de punção do osso da bacia ou através de um procedimento chamado aférese, onde após a estimulação com medicações a medula é coletada em uma máquina específica. Este procedimento só é realizado quando confirma-se a compatibilidade entre doador e receptor.

A realização do cadastro e tipagem HLA da medula é muito mais simples, basta comparecer a um hemocentro capacitado onde será preenchida uma ficha com seus dados e coletado um tubo para exames. É muito importante ressaltar a importância de se manter os dados para contato atualizados, já tivemos casos de pacientes com doadores compatíveis que não puderam realizar o transplante pois o doador havia se mudado e não pode ser localizado.

 

Quais são os cuidados com a pessoa que doa sangue ou medula?

A doação de sangue é muito simples e fácil, basta o doador manter-se bem hidratado no dia da doação, evitar fumar pelo menos duas horas antes do procedimento, evitar realizar atividade física intensa no dia da doação. Para se cadastrar como doador de medula não há qualquer cuidado adicional, no caso de doação alguns cuidados específicos serão necessários e a equipe médica orientará o doador durante o procedimento.

 

Desde quando existe esta política de doação de sangue no mundo e Brasil? Houve melhora nas redes brasileiras? Você teria alguma página para sugerir e locais para as pessoas doarem?

O procedimento de transfusão de sangue existe desde o início do século XX, porém ganhou força após a década de 50. De lá para cá houve um avanço fenomenal nas técnicas e segurança transfusional. No Brasil existe um rede de hemocentros que coordena a política do sangue e derivados, no caso do Hemocentro da Unicamp e alguns outros hemocentros como a Pro sangue de São Paulo , já são realizados exames de biologia molecular (NAT) para a detecção de HIV e Hepatite C, além dos exames sorológicos para outras doenças transmissíveis pelo sangue. Gostaria de sugerir duas páginas: Hemocentros do Brasil e Doadores.

 

Quem são os principais receptores de sangue doado no Brasil?O que pode ser feito para diminuir este número?

Todos nós somos potenciais receptores de sangue. Há uma grande demanda para pacientes poli traumatizados em acidentes e cirúrgicas. Atualmente há uma política de hemovigilância onde as indicações são criteriosamente avaliadas. Há um grupo específico de pacientes que necessita de sangue, são os portadores de leucemias e câncer que podem necessitar de doações específicas com aféreses de plaquetas. Há também os portadores de Anemia Falciforme e Talassemia que dependem de várias transfusões ao longo da vida.

“Não deixe para amanhã doação que você pode fazer hoje, alguém próximo a você pode não ter este tempo para esperar. Doe Sangue doe vida.”

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