Carta Aberta para o Presidente da ALMAP BBDO

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São Paulo, 2 de abril de 2012

“No Brasil, o ano começa após o carnaval e os brasileiros já estão aguardando os próximos feriados para descansar”. Parece até frase de publicitário, mas nossa intenção é outra. Para as agências de publicidade do primeiro ao último dia do ano, existe espaço para elas. Em diversos países desenvolvidos, como França, Inglaterra, Estados Unidos da América, Reino Unido e outros países existem restrições claras sobre a veiculação da publicidade dirigida para as CRIANÇAS, como é de conhecimento do senhor Presidente. De acordo com a American Journal of Clincal Nutrition, umas das revistas científicas mais respeitadas no mundo o excesso e peso em pré-escolares no Brasil foi 4,9%, EUA 4,5% e Reino Unido 2,9%(1).

Como pode o Brasil ter maior porcentagem de excesso de peso que países ricos e mais capitalistas? A psicóloga Susan Lin (2) vinculada a Universidade de Havard publicou em seu livro que os EUA regulamenta menos o marketing infantil do que a maioria das democracias industrias, já o Reino Unido rompeu o marketing de “junk food” (alimentos de alto valor energético e muito açúcar, sal e gordura) com os programas infantis na BBC (emissora do Reino Unido). No Brasil, infelizmente, existe apenas regulamentação para crianças de 0 a 3 anos. Em compensação, segundo o IBGE o excesso de peso ultrapassa patamares internacionais (3).

No Brasil de acordo com tese de doutorado da nutricionista Monteiro (4) verificou que 96.7% das propagandas eram de alimentos não saudáveis e em outra pesquisa de mestrado defendida na USP (5), 100% das propagandas infantis eram de alimentos não saudáveis. É necessário regulamentar a publicidade como o Prof Titular do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP, Carlos Augusto Monteiro e a profª Inês Rugani Ribeiro de Castro (UERJ) defendem em seu artigo publicado recentemente (6).

O Blog NUTRItodos, vem desenvolvendo um trabalho para que haja a divulgação da boa informação sobre Nutrição e Saúde e combate a impunidade, no Brasil, com o fim da publicidade dirigida à CRIANÇA. A publicidade muitas vezes desrespeita o ser mais precioso que temos. O Brasil foi um dos últimos a aderir à abolição da escravatura e parece que caminha no mesmo ritmo para regulamentar a publicidade dirigida para elas. Sabemos que as agências de públicidade irão dizer que o CONAR (Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária) desenvolve um bom trabalho. Entretanto, os países desenvolvidos têm os dois: regulamentação e autoregulamentação. O problema é que aqui só temos o setor publicitário autoregulamentado, o que muitas vezes leva publicidades desrespeitosas para nossas CRIANÇAS, diariamente, antes de serem retiradas do ar.

Dessa forma, gostaríamos de lançar um DESAFIO para o senhor, Desejamos que mostre ao Brasil o compromisso de não mais fazer publicidade dirigida às crianças por meio da agência Young & Rubican. Sabemos que ele está há 9 anos em primeiro lugar no Brasil, entretanto, acreditamos que ele esteja em primeiro lugar por seu perfil empreendedor, competência e diversas outras qualidades, mas não pela produção de publicidade dirigida às crianças. Sabemos que o senhor terá muita criatividade, eficiência adminsitrativa e energia para mostrar ao Brasil; que sua empresa é capaz de produzir publicidade e continuar em primeiro lugar, seguindo os mesmos passos de países desenvolvidos. Senhor Presidente você sabe a influência que a propaganda exerce sobre nossos filhos, mas pergunto: Tem coragem e amor para aceitar este desafio?

“O melhor investimento que um país pode fazer é nas suas crianças.” (Carol Bellamy)

PS.: Esta mesma carta foi enviada também às 5 maiores agências de publicidade do Brasil, direcionada é claro especificamente cada empresário.

PS1: As 5 maiores agências de publicidade, segundo o painel IBOPE 2011 foram: 1ª YOUNG & RUBICAM; 2ª ALMAP BBDO; 3ª OGILVY & MATHER; 4ª EURO RSCG BRASIL e 5ª JWT BRAZIL.

Cordialmente,
Alexander Marcellus
Coordenador geral
NUTRItodos

Referências
1- Am J Clin Nutr 2000;72:1032–9 (http://www.who.int/nutgrowthdb/publications/overweight/en/index.html).
2- Lin S. Honrar a criança em tempos desonrosos: recuperando a infância da cultura de mída comercializada. In: Cauvokian R, Olfman S, organizadores. Honrar a criança: como transformar este mundo. São Paulo: Instituto Alana: 2009. p. 249-261.
3- IBGE 2010 (http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1699&id_pagina=1)
4- Monteiro RA – Tese UNB (http://www.consuma.unb.br/pdf/tese_rmonteiro.pdf)
5- Pitas – mestrado na USP (http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6135/tde-10012011-162459/fr.php)
6- Prof Carlos Augusto Monteiro (http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252009000400020&script=sci_arttext)

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