Entrevista com Dra. Beatriz Tenuta (Presidente do CRN3 2011-2014)

A+ A- Assine a Newsletter Facebook Twitter

Entre na Rede NUTRItodos


Dra. Beatriz Tenuta Martins é presidente do CRN3-159 pela terceira vez, após as gestões de 1992/1995 e 1995/1998. Sua carreira mescla dedicação à educação, serviços à iniciativa privada e área pública e engajamento pela valorização dos profissionais da nutrição. Graduada em Nutrição pela Faculdade de Saúde Pública da USP e Mestre em Nutrição Humana pelo PRONUTRI/USP, acumula experiência de mais de 30 anos nas diversas áreas da nutrição. Atualmente, Dra. Beatriz é docente do SENAC/SP e presta consultoria na área de alimentação escolar.

No mês de novembro de 2011 houve um evento muito interessante desenvolvido pelo CRN3 chamado Ponto e Contraponto. Neste, ocorreu um debate com especialistas com diferentes condutas de exclusão do glúten na dieta. Qual o objetivo deste projeto? Quais temas ainda serão debatidos? Quais são as novidades que esta gestão deseja implantar no CRN3?

O CRN3 está desenvolvendo, junto a renomados profissionais da área da nutrição e da saúde, o programa Ponto e Contraponto. Em reuniões técnicas, com a participação de expositores potenciais dos temas, são explorados assuntos atuais e polêmicos da ciência da nutrição. A partir dos resultados obtidos destes debates de “pontos e contrapontos”, o CRN3 elabora pareceres técnicos sobre estes assuntos. A publicação dos pareceres tem o intuito de orientar o profissional inscrito, de forma embasada, sobre os temas polêmicos da atualidade, preparando-o para questionamentos que possa vir a enfrentar. Já foram realizados os encontros sobre os temas Vegetarianismo e Glúten no ano de 2011, e em 2012 o projeto terá continuidade com encontros sobre Leite, Lactobacilos, Fitoterápicos, Novos Alimentos e Nutracêuticos, Publicidade de Alimentos e Nutricosméticos e Estética.

Sabemos que a presidente, conselheiros e diretores do CRN3 não recebem para trabalhar a favor da categoria. As reuniões de vocês ocorrem todas as segundas-feiras. O que leva a senhora, os conselheiros e diretores a trabalharem para esses profissionais?

Temos reuniões de Diretoria todas as quartas, Plenárias às segundas e reuniões semanais de todas as comissões. Isso representa uma dedicação de pelo menos 12 horas semanais, para a maioria dos Conselheiros. Todos estão empenhados em contribuir para a valorização das profissões de Nutricionistas e Técnico em Nutrição e Dietética. Este Plenário quer fazer uma gestão que deixe resultados positivos e, para tanto, temos propostas concretas, a maioria já transformada em ações ao longo deste ano. Cada um de nós tem uma visão muito clara da importância desses profissionais para a saúde da população. Temos, também, muita clareza da necessidade de coibir a má prática profissional, o que nos leva a ações antipáticas, muitas vezes.

Quando conversarmos com alunos sobre o papel do Sindicato, e do CRN, muitos confundem a atuação dos dois, ou não sabem para que servem. Por que existe tanta confusão em relação às atribuições de cada um desses órgãos? O que pode ser feito para melhorar isto? Atualmente como é a relação entre estes órgãos?

Consideramos que o nutricionista não tem sido, até o momento, um profissional muito envolvido com as questões políticas da categoria. É necessário esclarecer, sempre e também trabalharmos em conjunto, para marcar o apoio de uma entidade à outra. Temos feito algumas ações em conjunto com o SINESP e a APAN, no caso de São Paulo, mas é necessário fazer mais.

Existem no Brasil 75 mil profissionais nutricionistas, poderíamos dizer que a cada dia temos 75 mil histórias para contar de cada um desses profissionais. Por outro lado, 5 histórias chamaram a atenção do Brasil em relação a atuação desses profissionais. Como a senhora percebe o problema das 5 nutricionistas que se tornaram notícia em decorrência de alimentos vencidos encontrados em hotéis de luxo em São Paulo e Rio de Janeiro?

Ficamos bastante aborrecidos quando o destaque do nutricionista na mídia é tão negativo. Entretanto, nosso papel, nesse momento, é tomar conhecimento dos fatos e chamar os profissionais para esclarecimentos. De qualquer forma, o sistema CFN/CRNs está divulgando uma nota de esclarecimento à população sobre esse assunto.

Sabe-se que a rede de hotéis por meio de seus sindicatos (se não me engano), proibiu os nutricionistas de fiscalizarem o trabalho de nossos colegas nos hotéis. Você acredita que esta proteção dos hotéis, facilitou a presença de problemas como este apontado acima?

Esse é um fator que colabora, no nosso ponto de vista, com esses tipos de ocorrência. O papel principal do conselho é fiscalizar o exercício profissional, orientar e, se necessário, coibir ou punir as más práticas. O fato de não podermos fiscalizar hotéis é um grande complicador.

Um dos diferencias da nova gestão CRN3, a nosso entender, foi a valorização da atuação política e combate a propaganda irregulares por parte de empresários de alimentos. Quais serão os passos desta gestão neste sentido?

Estamos participando em várias frentes com relação a esse assunto. Externamente, junto ao Ministério da Saúde, participando da revisão do Guia Alimentar da População Brasileira, e internamente, com nossa Comissão de Ética. Temos muita clareza de que é necessário esclarecer a população quanto ao real valor dos alimentos.

No dia 20 de outubro de 1978 foi criado o sistema CFN/CRN. Como a senhora percebe a importância deste órgão para atuação do nutricionista e quais foram as conquistas da década de 80, 90…até hoje em dia?

As conquistas foram enormes, tanto na abertura de várias frentes de trabalho, quanto no reconhecimento do nutricionista como o profissional capacitado para orientar a população nas questões referentes à alimentação saudável. Precisamos cuidar da formação e da inserção competente desse profissional no mercado.

Como é investido o valor de R$ R$304,86 reais pagos anualmente por mais de 20 mil nutricionistas do sistema CRN3?

O valor arrecadado pelo CRN-3 com as anuidades é utilizado da seguinte forma: cerca de 40% com pessoal e encargos, por volta de 30% com despesas administrativas e contratos e 27% com ações das comissões (fiscalização, comunicação, ética etc.). O restante se divide entre material de consumo e patrimônio. Ressalto que as atividades de fiscalização, intuito maior deste Conselho, se entrelaçam em todos estes percentuais, uma vez que todo o sistema funciona como uma engrenagem para que a fiscalização possa ser feita de forma correta e bem distribuída, com a quantidade adequada de fiscais, delegacias etc. É importante relembrar também que em 2012, pelo terceiro ano consecutivo, a anuidade permanecerá sem nenhum aumento, no valor de R$304,86. Esta conquista reflete o empenho deste Colegiado na redução de despesas do sistema, sem perder entretanto a qualidade e seriedade de sua atuação.

Como esses profissionais poderiam colaborar para que o CRN3 fique mais forte? Quais são os principais problemas que o CRN3 vem enfrentando atualmente?

Ainda temos algumas fragilidades de legislação que não nos permitem uma ação mais efetiva na fiscalização de alguns setores, como restaurantes comerciais, por exemplo. Temos também o crescente uso da mídia e avanço das tecnologias de informação, que nos fazem questionar como os profissionais podem utilizar tais ferramentas de forma a não ferir princípios éticos. Outra grande questão refere-se ao temas polêmicos, que são alvo dos nossos encontros Ponto & Contraponto, para que o profissional tenha diretrizes a seguir. Preocupamo-nos muito, também, com a exposição do profissional na mídia, quando divulga informações não respaldadas em evidências científicas. Os profissionais podem colaborar muito, tendo cuidado ao usar tais ferramentas e mantendo-se atualizados.

O que você diria para um nutricionista que está acabando de se formar e para aquele que está formado há mais tempo?

Para os recém-formados, eu diria que o futuro da nutrição é muito promissor, pois o reconhecimento da ciência da nutrição e, portanto, da alimentação como um fator determinante da qualidade de vida nos coloca à frente de muitas possibilidades de atuação. Para os formados há mais tempo, eu diria: estude muito, pois a ciência da nutrição é muito jovem e muda constantemente. E a ambos eu diria para não esquecerem o arcabouço da sua formação, que é a dietética.

Veja vídeo: Comunicado Oficial CRN3 e texto Comunicado Oficial CFN

Obs.: Prezada Presidente Beatriz Tenuta, desejamos um ano repleto de conquistas e muito obrigado por esta abertura para divulgar esta importante explanação sobre o trabalho do CRN3.

0
Como você avalia este conteúdo?
VN:F [1.9.13_1145]
Rating: 5.0/5 (7 votos)
Avaliação deste conteúdo:
Entrevista com Dra. Beatriz Tenuta (Presidente do CRN3 2011-2014), 5.0 out of 5 based on 7 ratings

Um comentário para “Entrevista com Dra. Beatriz Tenuta (Presidente do CRN3 2011-2014)”

  1. Verônica Iazaki disse:

    Fico muito orgulhosa por ter a Dr.a Beatriz como minha professora! Como sempre, brilhante e inteligente!

    Verônica – SENAC – NUTRIÇÃO C10

Deixe seu comentário